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Mendigo

Mendigo dos meus olhos, Porque tens medos, Revela-me os teus segredos E não escondas essa face de mistério Olha para ti Renasces nos becos, nas ruas Alimentas-te da solidão e da esperança Teus sonhos são escassos Tua vida é inútil Aos olhos dos que não te entendem Tua imagem reflecte-se nos rios desta cidade nas sombras das esquinas nos bancos solitários Eu percebo-te Não te ouvem Não te deixam viver Olham para ti Com olhos de desprezo Preferes o teu cobertor A quentura das ruas Optas pela tua humilde liberdade Acabas por vezes Num beco sem saída Onde os pesadelos se libertam e entram sem avisar nessa tua sofredora mente Esqueces-te do que vês Escondes esse sorriso Carregas contigo a dura realidade Transportas os pesadelos que te amedrontam Todos os dias Vives da esmola miserável Comes o que nós desprezamos Vives do simples Mendigo diz-me, Diz-me o que não sei, Conheço apenas um pedaço ...

Mendigo

Como se sentirá um sem-abrigo? Como é viver todos os dias nas ruas, lutando apenas pela sobrevivência? Ele é feliz assim? Será que foram obrigados aceitar o triste destino das ruas? ou tinham outras hipóteses, chances, oportunidades..se tiveram porque deram tudo a perder?! Só há uma resposta, por vezes sentimo-nos tão inúteis por dentro que pensamos que não temos valor e que a única maneira de ser feliz é silenciar as noites escuras e esconder o pensamento dos fantasmas que nos amedrontam no dia-a-dia..Dedico este texto a todos sem-abrigo que existem e vivem nas ruas de Portugal, porque apesar de optarem ou não optarem a vi que têem, continuam a ser humanos com sentimentos, sobrevivem dia após dia e com um coração forte.